Terça-feira, 10.02.09

Há amores que estrangulam...

Quem nunca desejou um amor incondicional? Não falo do amor entre pais e filhos, entre irmãos. Esse é inquestionável (ou deveria ser). Refiro-me ao amor sem limites de um homem ou de uma mulher. Quem nunca desejou ser amado(a) sem reservas, rodeado(a) de todas as atenções? Quem nunca quis ser o mundo, o universo de alguém?

Não vale a pena negar o óbvio: passamos a vida em busca da felicidade e do amor, na procura daquela pessoa que nos "encha as medidas" e na qual nos encaixemos na perfeição. De corpo e alma. Uma sintonia inequívoca.

Para muitos essa busca poderá vir a revelar-se infrutífera, deitando por terra a tal teoria de que existe sempre, algures, a nossa outra metade. Até porque esse "algures" pode ficar no outro lado do mundo, reduzindo, assim, tragicamente as hipóteses de com ela nos cruzarmos. Ou então, pode até dar-se o caso de encontrarmos alguém com quem nos sintamos emocionalmente aconchegados, mas não plenamente preenchidos. Como aquela peça do puzzle que até cabe naquele espaço, mas depois não se une de forma perfeita às restantes. Ainda não é a tal peça.  

Existem depois os afortunados. Os que têm a sorte de encontrar a outra metade praticamente ao virar da esquina. E, quase sempre, quando menos esperavam ou quando já não acreditavam ser possível, fruto de experiências anteriores mal sucedidas. Mas eis que, um belo dia,... aí está ela... a tal pessoa!

 

Há quase dois anos, um amigo meu confidenciou-me um encontro destes, onde sentiu que she's the one. E a forma como me ia relatando os factos e o turbilhão de sentimentos em que estava mergulhado, abalou por completo a minha idéia de que os homens não sentem de forma intensa e de que jamais põem a nu afectos, dúvidas, receios e desejos. Não poderia estar mais enganada! Tinha diante de mim um homem vivido, mas com a euforia de um menino que acabara de dar o primeiro beijo... Euforia, no entanto, ensombrada por um facto ao qual não podia fechar os olhos: ela estava ligada a outra pessoa por algo chamado... casamento. Recente, mas ainda assim... um casamento. Sem filhos... mas um casamento. E isso pesa!

Não vale a pena estar com falsos moralismo e vestir uma expressão de condenação. Atire a primeira pedra quem nunca deu um passo que não era suposto dar. Não recriminei o meu amigo, mas nunca deixei de o alertar para o desgaste psicológico e emocional que uma relação daquelas poderia acarretar. Contudo, também lhe fui dizendo que se os sentimentos dele eram correspondidos, lá chegaria o dia em que aquela mulher ficaria ao seu lado. Sim, porque na minha modesta visão, quem se envolve com outra pessoa, tendo um casamento às costas, é porque algo está mal.

Passaram quase dois anos. E ontem, tive novamente "diante" de mim, o tal menino, mas com lágrimas, invadido por uma decepção monstruosa, completamente perdido e derrotado, magoado da queda, mas recusando-se a tratar as feridas por achar que é um esforço em vão. Um guerreiro vencido pelo cansaço de lutar contra fantasmas.

Já o tinha sentido assim, cheio de interrogações e de desalento ao longo destes dois anos, nas várias conversas que fomos mantendo. E confesso que não sei como conseguiu aguentar, como foi capaz de se contentar com encontros fortuitos, com ausências prolongadas e sobretudo com promessas que nunca mais eram cumpridas. Só encontro uma explicação: cegueira emocional, meu amigo! Quando o coração nos coloca uma venda os olhos para que não possamos enxergar o óbvio, pois o amor que sentimos é mais forte do que tudo e porque nos agarramos a uma esperança, mesmo ténue, como se de uma tábua de salvação se tratasse.

 

Eu dou a mão à palmatória: há atitudes que não entendo, há formas de determinadas pessoas se posicionarem face ao amor que me escapam. Como é que uma mulher  (aquela por quem o meu amigo se apaixonou perdidamente) passa dois anos num impasse, numa vida que não a satisfaz, junto de um homem que, provavelmente já nada lhe diz, se envolve com outro que diz amar acima de tudo, com quem projecta um futuro, uma vida, de quem recebe tudo (uma fidelidade e uma entrega raras) e, no fim, diz que está confusa, que não consegue tomar uma decisão, que não tem coragem, que é fraca?! Como é possível?!

Sim, é fraca! Sem dúvida que o é! Fraca e imatura. Quem opta por manter uma vida postiça em vez de tomar as rédeas do próprio destino... só pode ser muito fraca e covarde. Quando nada há que obrigue a manter uma relação (nem sentimentos, nem dependência financeira, nem filhos) e há outro alguém que se ama, que nos ama, que nos escancara as portas do seu mundo, que se prontifica a tudo por um amor singular e, mesmo assim, isso não é o bastante para uma tomada de atitude... Que nome poderemos dar a isso? É amor? Só se fôr um amor que estrangula, que fere, que destrói, que mata.

 

Ontem teria gostado de ser dona de todas as repostas, mas mais não consegui do que ser dura, do que tentar fazer com que o meu amigo compreenda que a vida não tem o modo pause, não permite paragens de tempo, não permite prolongar ad eternum beijos, abraço e juras de amor. Há que seguir em frente, ou pelo menos, tentar. Há que fazer o luto. E dar tempo. E dar espaço.

 

(Amigo, obrigada por me teres deixado escrever sobre o que tanto te dói. Mas não o fiz apenas pelo prazer de escrever. Fi-lo porque sei que muito do que já te escrevi, mal leste. Não por mal, mas porque a necessidade de deitares cá para fora tudo o que te sufocava era mais forte do que tudo aquilo que eu te pudesse dizer. Aqui, poderás ler e reler e se, porventura, te magoar demais, eu apago o texto.

Tu mereces ser feliz, muito feliz! Ontem, confessavas que não valia a pena lutar por mais nada. Errado! Vale a pena sim! Vale a pena lutares por ti! Sempre por ti!)

 

 

publicado por Teia d´Aranha às 21:47 | Comentar | Ver comentários (26)
Domingo, 04.01.09

Vamos lá ver se nos entendemos...

 

Há lá melhor forma de iniciar o ano, aqui, do que um post que serve para pôr uma coisinha ou outra em pratos limpos? Há, claro que há! Mas não me apetece falar delas... Até porque é domingo, até porque faz sol e até porque tenho mais o que fazer do que cogitar sobre assuntos demasiado profundos...

 

No entanto, devido a um episódio recente e em jeito de a-ver-se-me-faço-entender-de-uma-vez-por-todas, queria apenas deixar bem claro que não é o facto de alguém comentar meia dúzia de vezes o meu blog que passa automaticamente a fazer parte do meu grupo de amigos. E essa do "amigo virtual" também não cola porque nem sequer compreendo esse conceito.

Admito que se estabeleça empatia com quem nos comenta, quer pelo facto de nos identificarmos com o que pensa, com a sua forma de ser, de estar, de sentir, mas é preciso muito mais do que isso para que a palavra AMIGO seja a que passa a carimbar essa relação.

Não é pelo facto de me dizerem que gostam do que escrevo, da forma como escrevo, que há muito que lêem o blog e etcetera e tal que vou considerar que está uma amizade cimentada. Eu também aprecio muito o facto da senhora do talho me escolher sempre a carne mais tenra e do senhor da livraria tudo fazer para me arranjar aquele livro de que ando atrás, mas nem por isso desato aos beijinhos ou a chamá-los de amiguinhos, como se já tivessemos sido companheiros de armas ou vivido muita coisa juntos.

Porque ser amigo não se resume a uma troca de palavras ou de galhardetes. Exige mais. Muito mais. Não é uma ocupação de part-time, não é um parque de diversões apenas. Dá trabalho. Ocupa muito tempo. Requer disponibilidade e entrega e não se compadece com intervalos.

Amigo é alguém  que me conhece para além das palavras, que capta o que estou a pensar ou a sentir, mesmo sem as palavras; que conhece os meus medos e inseguranças, os meus anseios e desejos; que sabe do que gosto e o que detesto; que me segura a mão nos maus momentos e que ri comigo nos bons. Mas é também alguém que não se coíbe de me chamar à razão, de me mostrar que posso estar errada, que fui injusta ou cruel. Porque um amigo não é quem diz ámen a tudo o que faço, mas é quem me aceita tal como sou, em toda a minha essência.

Tudo isto se consegue, aqui, na blogosfera? Não acredito nisso, nem por um segundo. Admito que possa ser o ponto de partida para desenvolver laços e até chegar a uma  amizade, mas ultrapassando as "barreiras" do virtual.

Estou quase há um ano nisto dos blogs e olhando para a lista dos links que tenho na barra lateral, verifico que conheço pessoalmente os donos dos três primeiros. Mas apenas a Sô Dona Gaja entrou na minha vidinha (ou eu na dela, já nem sei...) pela mão do blog. Contacto com outros "bloguistas" graças ao msn, onde falamos, disparatamos, nos insultamos, mas sabemos que falta muito para sermos declarados amigos.

Sabemos. Porque somos pessoas maduras, com idéias e valores bem definidos. E conscientes também. Conscientes sobretudo de que a vida está muito para além do entretenimento que um blog proporciona e de meia dúzia de comentários.

 

 

(Ah! Antes que me esqueça... é só para dizer que retirar-me dos "amigos adicionados" dá-me cá um abalo... Basta ir ao meu perfil e ver o quanto me preocupo com  isso...)

  

 (Apocalyptica feat. Adam Gontier - I Don't Care)

 

 

publicado por Teia d´Aranha às 12:48 | Comentar | Ver comentários (59)
Terça-feira, 22.07.08

Keep fighting

Há quem diga que a culpa é do tempo... Não sei.

O que eu sei é que, nesta altura, há pessoas à "minha volta" que não andam bem, amigos de quem gosto muito que vivem num estado de desânimo e de angústia que mexe muito comigo também.

Mas o que mais me dói é o facto de querer ajudar e não saber como; de, por mais que eu tente e queira, não conseguir fazer com que reajam... Como se estendesse a mão, mas faltassem milímetros para conseguir alcançar a outra mão... É um sentimento de impotência tão grande! Só queria saber como fazer...

Hoje, ao ouvir esta música, não pude deixar de pensar em tudo isto e fica aqui o conselho: keep fighting... boy!

(Dr1ve feat Lúcia Moniz - A Wish)*

 

* Música para o filme "A Escritora Italiana" de André Badalo

 

publicado por Teia d´Aranha às 10:38 | Comentar | Ver comentários (22)

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