Sábado, 04.07.09

O imperativo do adeus

 

"Por mais que a vida nos premeie com pequenas ausências ou com decepções que chegam de surpresa, cada adeus não tem nem primeira nem terceira pessoas, um singular ou diversos plurais, como não tem passado nem futuro. Por mais que pareça da nossa família, "adeus" é um imperativo que amachuca o coração e  o transforma sempre num pretérito imperfeito.(...)

Era, realmente, mais fácil se, no lugar de um adeus, fôssemos rebeldes, irascíveis, ou, então, vaidosos e impertinente, diante de tudo o que nos salta do coração até ao corpo. E mais ainda, se as palavras se esgueirassem pelos olhos e falassem à margem de tudo o que sentimos. E, sempre que um adeus hesitasse na garganta, elas nos traíssem numa nesga de sílaba ou num gesto estonteante.

Mas como acontece tantas vezes, há palavras que são da nossa família sem que tenhamos, alguma vez, percebido o que querem dizer. É assim o "adeus". E, por mais que se faça da família, todo o adeus amachuca o coração. E transforma-se, vezes demais cada memória num pretérito... mais que imperfeito".

(Eduardo Sá)

 

(Há muito tempo que não me doía separar-me de pessoas com quem trabalhei. E se ontem não consegui (ao contrário de vós) expressar por palavras o quanto vocês foram importantes para mim, foi porque as lágrimas, que tentei a todo o custo esconder-vos, não mo permitiram... Tal como dizia, ontem, o P., entre lágrimas e copos de wisky, "estivemos pouco tempo juntos, mas estivemos de alma e coração". E quando assim é, os pequenos momentos tornam-se grandes, os problemas transformam-se em ninharias e a "gentalha" que nos cerca, qual abutres, fica reduzida a insecto que se esmaga com o olhar da nossa indiferença. E lembrem-se (e esta é sobretudo para ti, P., que ainda lá ficarás): até no meio da "merda" é possível descobrir-se tesouros...

 

Até sempre. Digo-vos eu.)

 

 

 

 

 

publicado por Teia d´Aranha às 19:14 | Comentar | Ver comentários (30)
Terça-feira, 10.02.09

Há amores que estrangulam...

Quem nunca desejou um amor incondicional? Não falo do amor entre pais e filhos, entre irmãos. Esse é inquestionável (ou deveria ser). Refiro-me ao amor sem limites de um homem ou de uma mulher. Quem nunca desejou ser amado(a) sem reservas, rodeado(a) de todas as atenções? Quem nunca quis ser o mundo, o universo de alguém?

Não vale a pena negar o óbvio: passamos a vida em busca da felicidade e do amor, na procura daquela pessoa que nos "encha as medidas" e na qual nos encaixemos na perfeição. De corpo e alma. Uma sintonia inequívoca.

Para muitos essa busca poderá vir a revelar-se infrutífera, deitando por terra a tal teoria de que existe sempre, algures, a nossa outra metade. Até porque esse "algures" pode ficar no outro lado do mundo, reduzindo, assim, tragicamente as hipóteses de com ela nos cruzarmos. Ou então, pode até dar-se o caso de encontrarmos alguém com quem nos sintamos emocionalmente aconchegados, mas não plenamente preenchidos. Como aquela peça do puzzle que até cabe naquele espaço, mas depois não se une de forma perfeita às restantes. Ainda não é a tal peça.  

Existem depois os afortunados. Os que têm a sorte de encontrar a outra metade praticamente ao virar da esquina. E, quase sempre, quando menos esperavam ou quando já não acreditavam ser possível, fruto de experiências anteriores mal sucedidas. Mas eis que, um belo dia,... aí está ela... a tal pessoa!

 

Há quase dois anos, um amigo meu confidenciou-me um encontro destes, onde sentiu que she's the one. E a forma como me ia relatando os factos e o turbilhão de sentimentos em que estava mergulhado, abalou por completo a minha idéia de que os homens não sentem de forma intensa e de que jamais põem a nu afectos, dúvidas, receios e desejos. Não poderia estar mais enganada! Tinha diante de mim um homem vivido, mas com a euforia de um menino que acabara de dar o primeiro beijo... Euforia, no entanto, ensombrada por um facto ao qual não podia fechar os olhos: ela estava ligada a outra pessoa por algo chamado... casamento. Recente, mas ainda assim... um casamento. Sem filhos... mas um casamento. E isso pesa!

Não vale a pena estar com falsos moralismo e vestir uma expressão de condenação. Atire a primeira pedra quem nunca deu um passo que não era suposto dar. Não recriminei o meu amigo, mas nunca deixei de o alertar para o desgaste psicológico e emocional que uma relação daquelas poderia acarretar. Contudo, também lhe fui dizendo que se os sentimentos dele eram correspondidos, lá chegaria o dia em que aquela mulher ficaria ao seu lado. Sim, porque na minha modesta visão, quem se envolve com outra pessoa, tendo um casamento às costas, é porque algo está mal.

Passaram quase dois anos. E ontem, tive novamente "diante" de mim, o tal menino, mas com lágrimas, invadido por uma decepção monstruosa, completamente perdido e derrotado, magoado da queda, mas recusando-se a tratar as feridas por achar que é um esforço em vão. Um guerreiro vencido pelo cansaço de lutar contra fantasmas.

Já o tinha sentido assim, cheio de interrogações e de desalento ao longo destes dois anos, nas várias conversas que fomos mantendo. E confesso que não sei como conseguiu aguentar, como foi capaz de se contentar com encontros fortuitos, com ausências prolongadas e sobretudo com promessas que nunca mais eram cumpridas. Só encontro uma explicação: cegueira emocional, meu amigo! Quando o coração nos coloca uma venda os olhos para que não possamos enxergar o óbvio, pois o amor que sentimos é mais forte do que tudo e porque nos agarramos a uma esperança, mesmo ténue, como se de uma tábua de salvação se tratasse.

 

Eu dou a mão à palmatória: há atitudes que não entendo, há formas de determinadas pessoas se posicionarem face ao amor que me escapam. Como é que uma mulher  (aquela por quem o meu amigo se apaixonou perdidamente) passa dois anos num impasse, numa vida que não a satisfaz, junto de um homem que, provavelmente já nada lhe diz, se envolve com outro que diz amar acima de tudo, com quem projecta um futuro, uma vida, de quem recebe tudo (uma fidelidade e uma entrega raras) e, no fim, diz que está confusa, que não consegue tomar uma decisão, que não tem coragem, que é fraca?! Como é possível?!

Sim, é fraca! Sem dúvida que o é! Fraca e imatura. Quem opta por manter uma vida postiça em vez de tomar as rédeas do próprio destino... só pode ser muito fraca e covarde. Quando nada há que obrigue a manter uma relação (nem sentimentos, nem dependência financeira, nem filhos) e há outro alguém que se ama, que nos ama, que nos escancara as portas do seu mundo, que se prontifica a tudo por um amor singular e, mesmo assim, isso não é o bastante para uma tomada de atitude... Que nome poderemos dar a isso? É amor? Só se fôr um amor que estrangula, que fere, que destrói, que mata.

 

Ontem teria gostado de ser dona de todas as repostas, mas mais não consegui do que ser dura, do que tentar fazer com que o meu amigo compreenda que a vida não tem o modo pause, não permite paragens de tempo, não permite prolongar ad eternum beijos, abraço e juras de amor. Há que seguir em frente, ou pelo menos, tentar. Há que fazer o luto. E dar tempo. E dar espaço.

 

(Amigo, obrigada por me teres deixado escrever sobre o que tanto te dói. Mas não o fiz apenas pelo prazer de escrever. Fi-lo porque sei que muito do que já te escrevi, mal leste. Não por mal, mas porque a necessidade de deitares cá para fora tudo o que te sufocava era mais forte do que tudo aquilo que eu te pudesse dizer. Aqui, poderás ler e reler e se, porventura, te magoar demais, eu apago o texto.

Tu mereces ser feliz, muito feliz! Ontem, confessavas que não valia a pena lutar por mais nada. Errado! Vale a pena sim! Vale a pena lutares por ti! Sempre por ti!)

 

 

publicado por Teia d´Aranha às 21:47 | Comentar | Ver comentários (26)
Domingo, 07.12.08

Romeu... procura-se

 

Há, por parte da maioria dos homens, a idéia de que as mulheres, quando se juntam, falam de assuntos tão importantes como: penteados, roupas, sapatos, e... homens. E que algumas, para se armarem em espertas, também falam de economia, sobretudo em época de saldos...

 

Há, por parte da maioria das mulheres, a idéia de que os homens, quando se juntam, falam de assuntos tão importantes como cerveja, carros, futebol e... mulheres. E que alguns, para se armarem em espertos, também tentam dizer duas ou três frases que tenham, nem que seja ligeiramente, a ver com política.

 

Ponto em comum? Falarem do sexo oposto.

Mas será que abordam o "assunto" e expõem os sentimentos da mesma forma?

 

Armei-me em Fátima Campos Ferreira e resolvi colocar a questão às duas partes. E veio a confirmação às minhas suspeitas.

As mulheres gostam de falar do que lhes vai no coração, mas para confidências mais íntimas procuram a melhor amiga, a quem dizem o que sentem, o que receiam, o que anseiam; a quem colocam dúvidas e pedem conselhos. A quem chegam a falar da paixão e do amor que sentem por aquele que lhes dá aquele friozinho na barriga. E do corpo. Não vou mentir. Também falamos do corpo. Mas com uma escolha cuidada do vocabulário e sem entrarmos em detalhes.

 

Os homens também falam do que sentem, mas sobretudo do que sentem quando olham para o rabo ou para as mamas da "gaija" que lhes serve o almoço no restaurante, lá perto do local de trabalho. Ou do fogo que sentem a subir-lhes pelo corpo quando vão no elevador com a boazona do prédio. Agora falar de paixão, de amor?! Estás parvinha ou quê?! A maioria acha que abordar assuntos desse calibre é coisa para "gaijos" pouco machos, coisa de "florzinha". Uma mariquice. Ou seja, eles até sentem, mas não falam porque alimentam a idéia peregrina de que virilidade e expressão de sentimentos não combinam, pura e simplesmente não se misturam.

 

Por que desapareceram os "Romeus"?

 

 

Aproveito também este post para responder ao desafio do Sapo Blogs que consiste em elegermos aquela que é para nós a melhor canção de amor. Foi extremamente difícil porque poderia dar uma lista quase interminável de músicas, algumas delas já as fui colocando no blog. Mas a de hoje é uma das que me conquista totalmente.

(Dire Straits - Romeo & Juliet)

 

publicado por Teia d´Aranha às 23:57 | Comentar | Ver comentários (35)
Segunda-feira, 18.08.08

Os degraus do coração

Quem se deu ao trabalho de ler o post anterior, sabe que estou a provar do meu próprio "veneno". Este título foi o que atirei à fronha daquela que só diz disparates para que ela desenvolvesse no seu blog. Mas acordo é acordo. Combinámos discorrer sobre o tema anterior e sobre este. E eu sou de honrar os meus compromissos. Talvez o faça com uma visão mais pessimista, mais dura... A visão da Teia, como sempre.

 

Imaginem uma escadaria enorme, à imagem do Bom Jesus de Braga, por exemplo. Vista de baixo, é de uma grandiosidade que nos leva a pensar duas vezes antes que nos decidamos a subi-la, pelo esforço que exige.

Possivelmente não serei a única, mas consigo facilmente transferir a metáfora da escadaria para as relações que estabeleço com os outros. Essa escadaria é o coração. Com poucos degraus para uns, com degraus quase a perder de vista para outros.

À nascença, há quem teoricamente atinja o topo da nossa escadaria de forma natural: os pais, a família. E digo teoricamente porque é comum ouvirmos a expressão "A família não se pode escolher", ou seja, há quem não sinta pelos "seus" o amor que seria suposto sentir, por motivos que não interessa agora dissecar .

Mas e os outros, os que não fazem parte do seio familiar? Como fazem essa escalada?

Para mim, a velocidade com que se sobe os degraus depende não só do do dono da escadaria, mas também de quem pretende subi-la.

 

Há quem, por ingenuidade ou boa-fé excessivas, permita um acesso fácil e rápido ao cume do coração, colocando uma espécie de escada rolante. Não exige esforço, não há cansaço, não há qualquer obstáculo. Para muitos... a escadaria ideal. Mas a rapidez com que atingem o cimo é semelhante àquela com que abandonam esse coração que os recebeu com tanto facilitismo. E esse coração vive num constante entra-e-sai. Ninguém permanece por muito tempo e muito menos... para sempre.

 

Temos depois aquela escadaria com que mais me identifico. Feita de muitos degraus, de pedra tosca, sem polimento e que, inevitavelmente, não agrada a toda a gente, sobretudo aos que esperavam encontrar a tal escada rolante. Mas mesmo com aspecto mais rude, há quem se empenhe em tentar ir conquistando cada um dos degraus ao ritmo imposto pelo dono do coração...

Há quem se empenhe e dê provas de querer ir até ao fim independemente de tudo, não recuando um só passo; quem chegue a meio caminho e não consiga ir mais longe por falta de persistência, de carácter e, consequentemente, por lhe ser vedado o acesso aos restantes degraus. Há ainda quem se fique por uns míseros degraus, mostrando pouca ou nenhuma capacidade de luta na conquista dum espaço no nosso coração. São aqueles a quem, sem qualquer remorso, indicamos a porta de saída.

Mas  o pior é quando aqueles a quem, finalmente, autorizámos que pisassem o derradeiro degrau e se instalassem confortavelmente na nossa vida, nos decepcionam, nos ferem, deixam de ser merecedores da nossa confiança, do nosso respeito, da nossa amizade ou do nosso amor. Aqueles que por terem atingido o lugar cimeiro no nosso coração, julgam que nada mais resta a fazer ou resolvem tirar a pele de "cordeiro" com que subiram os degraus e mostrar a de "lobo" que sempre envergaram de forma muito bem dissimulada. A estes nunca colocámos escadas rolantes, mas, em muitos degraus, estendemos a mão para que a escalada não fosse tão penosa ou demorada.

E o que lhes acontece depois de tudo isto? Recebem ordem de despejo! São atirados escada abaixo a uma velocidade vertiginosa para que a queda seja tão dolorosa quanto a mágoa que provocaram... E jamais lhes será dada uma nova oportunidade de colocar o pé num único degrau que seja.

 

Visão insensível... a minha? Talvez sim... talvez não...

 (Sting -  Shape Of My Heart)

 

publicado por Teia d´Aranha às 18:06 | Comentar | Ver comentários (22)

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