Segunda-feira, 18.08.08

Os degraus do coração

Quem se deu ao trabalho de ler o post anterior, sabe que estou a provar do meu próprio "veneno". Este título foi o que atirei à fronha daquela que só diz disparates para que ela desenvolvesse no seu blog. Mas acordo é acordo. Combinámos discorrer sobre o tema anterior e sobre este. E eu sou de honrar os meus compromissos. Talvez o faça com uma visão mais pessimista, mais dura... A visão da Teia, como sempre.

 

Imaginem uma escadaria enorme, à imagem do Bom Jesus de Braga, por exemplo. Vista de baixo, é de uma grandiosidade que nos leva a pensar duas vezes antes que nos decidamos a subi-la, pelo esforço que exige.

Possivelmente não serei a única, mas consigo facilmente transferir a metáfora da escadaria para as relações que estabeleço com os outros. Essa escadaria é o coração. Com poucos degraus para uns, com degraus quase a perder de vista para outros.

À nascença, há quem teoricamente atinja o topo da nossa escadaria de forma natural: os pais, a família. E digo teoricamente porque é comum ouvirmos a expressão "A família não se pode escolher", ou seja, há quem não sinta pelos "seus" o amor que seria suposto sentir, por motivos que não interessa agora dissecar .

Mas e os outros, os que não fazem parte do seio familiar? Como fazem essa escalada?

Para mim, a velocidade com que se sobe os degraus depende não só do do dono da escadaria, mas também de quem pretende subi-la.

 

Há quem, por ingenuidade ou boa-fé excessivas, permita um acesso fácil e rápido ao cume do coração, colocando uma espécie de escada rolante. Não exige esforço, não há cansaço, não há qualquer obstáculo. Para muitos... a escadaria ideal. Mas a rapidez com que atingem o cimo é semelhante àquela com que abandonam esse coração que os recebeu com tanto facilitismo. E esse coração vive num constante entra-e-sai. Ninguém permanece por muito tempo e muito menos... para sempre.

 

Temos depois aquela escadaria com que mais me identifico. Feita de muitos degraus, de pedra tosca, sem polimento e que, inevitavelmente, não agrada a toda a gente, sobretudo aos que esperavam encontrar a tal escada rolante. Mas mesmo com aspecto mais rude, há quem se empenhe em tentar ir conquistando cada um dos degraus ao ritmo imposto pelo dono do coração...

Há quem se empenhe e dê provas de querer ir até ao fim independemente de tudo, não recuando um só passo; quem chegue a meio caminho e não consiga ir mais longe por falta de persistência, de carácter e, consequentemente, por lhe ser vedado o acesso aos restantes degraus. Há ainda quem se fique por uns míseros degraus, mostrando pouca ou nenhuma capacidade de luta na conquista dum espaço no nosso coração. São aqueles a quem, sem qualquer remorso, indicamos a porta de saída.

Mas  o pior é quando aqueles a quem, finalmente, autorizámos que pisassem o derradeiro degrau e se instalassem confortavelmente na nossa vida, nos decepcionam, nos ferem, deixam de ser merecedores da nossa confiança, do nosso respeito, da nossa amizade ou do nosso amor. Aqueles que por terem atingido o lugar cimeiro no nosso coração, julgam que nada mais resta a fazer ou resolvem tirar a pele de "cordeiro" com que subiram os degraus e mostrar a de "lobo" que sempre envergaram de forma muito bem dissimulada. A estes nunca colocámos escadas rolantes, mas, em muitos degraus, estendemos a mão para que a escalada não fosse tão penosa ou demorada.

E o que lhes acontece depois de tudo isto? Recebem ordem de despejo! São atirados escada abaixo a uma velocidade vertiginosa para que a queda seja tão dolorosa quanto a mágoa que provocaram... E jamais lhes será dada uma nova oportunidade de colocar o pé num único degrau que seja.

 

Visão insensível... a minha? Talvez sim... talvez não...

 (Sting -  Shape Of My Heart)

 

publicado por Teia d´Aranha às 18:06 | Comentar | Ver comentários (22)
Quinta-feira, 14.08.08

Amor, traz-me um copo d'água!

 

 

O mal deve ser geral: em Agosto até a inspiração vai a banhos e o cérebro adormece. No meu caso, até acho que parou por completo... Já houve inclusive quem me tivesse feito esse reparo...

Hoje deu-me vontade de escrever, mas foi como se quisesse fazer um bolo e verificasse que não tinha nem farinha nem açúcar ( e não me venham dizer que posso fazer um bolo sem farinha e sem açúcar! Deixem-se de merdas tretas!).

Estava eu a comentar isto mesmo com a irracional, quando a "gaija" sugere: "E que tal se eu te desse um título para dissertares e tu davas-me um a mim?"

Toda a minha vida tem sido assim: se não são os problemas a procurarem-me... sou eu que os procuro. Por isso, quando a menina veio com aquele paleio, não virei a cara e disse-lhe logo: "Tu arranjas títulos do caralhinho arco da velha, mas chuta aí!". E ela não se fez rogada e atirou-me com o de hoje. Já eu, menina comedida e que se rege pelos valores mais sagrados, espetei-lhe com o título "Os degraus do coração" (coisinha mais deprimente!).

Bem, conversa para aqui, treta para acolá e acordámos que cada uma de nós pegaria nos dois temas nos respectivos blogs para vermos as diferenças entre as duas pérolas literárias, de fazer inveja às Páginas Amarelas.

 

"Amor, traz-me um copo de água!" não foi um título que me tivesse dado grandes dores de cabeça porque, para mim, amor e água... têm uma relação estreita, muito estreita mesmo.

Eu tinha jurado a mim mesma nunca falar da minha vida sexual neste espaço (sim... também tenho vida sexual... por incrível que pareça!), mas hoje vou ter de romper com essa promessa e abrir a janela da minha intimidade (É apenas a janela, não pensem que vou escancarar a porta!).

Todos temos hábitos, manias, rituais e no acto propriamente dito há comportamentos que se repetem, acções personalizadas. Há quem chame por Deus, quem morda os lençóis, quem enterre as unhas no corpo do/a parceiro/a... e toda uma panóplia de atitudes animalescas, cuja inactividade cerebral que acuso neste preciso instante não me permite recordar.

 

Agora arregalem os olhinhos que vem aí bomba: o que faço eu?... Eu...eu... eu bebo litros de água! Dá-me securas, muitas securas... Mas, por norma, o que acontece? Acontece que na loucura do momento não me vem à idéia levar a reboque  o garrafão (ok! É apenas uma garrafa) e nem me atrevo a interromper o "andamento". Julgo que não seria lá muito oportuno soltar algo como: Meu querido, aguenta aí os cavalos que vou rapidinho à cozinha buscar um copázio d'água e já acabamos de tratar do nosso "dossiê"... Por isso, tenho duas hipóteses: ou bebo água feita camelo antes de... ou enfio o garrafão do precioso líquido pela goela abaixo no fim...

 

Pelo sim, pelo não... hoje fui às compras e trouxe dois garrafões...

 (Smoke City - Underwater Love)

 

Sinto-me: cerebralmente... inactiva...
publicado por Teia d´Aranha às 23:29 | Comentar | Ver comentários (32)

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